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03 julho 2013

Grupos Sanguíneos e Tipagem do Sangue - Parte 1.

      A superfície dos glóbulos vermelhos contém um sortimento geneticamente determinado de glicoprotéinas chamados isoantígenos (isso- = igual) ou aglutinogênios. Com base na presença ou ausência de vários isoantígenos, o sangue é classificado em diferentes grupos sanguíneos, podem existir dois ou mais tipos sanguíneos. Há pelo menos 24 grupos sanguíneos e mais de 100 isoantígenos que podem ser detectados na superfície dos glóbulos vermelhos.


      GRUPO SANGUÍNEO ABO

O grupo sanguíneo ABO tem como base 2 isoantígenos chamados antígenos A e B. Os indivíduos cujos glóbulos vermelhos apresentam apenas o antígeno A têm sangue do grupo A. Aqueles que têm somente o antígeno B são do grupo B. Os indivíduos que tem tanto o antígeno A quanto o antígeno B são do grupo AB, enquanto os que não tem nenhum dos dois antígenos são do grupo O. Em aproximadamente 80% da população, os antígenos solúveis do grupo sanguíneo ABO aparecem da saliva e em outros líquidos corporais, portanto o grupo sanguineo pode ser identificado em uma amostra de saliva. As frequências dos grupos sanguíneos ABO variam entre os diferentes grupos populacionais.

Além dos isoantígenos existentes nos glóbulos vermelhos, o plasma sanguíneo geralmente contém isoanticorpos ou aglutininas, que reagem com os antígenos A e B, se ambos estiverem misturados. Estes são os anticorpos anti-A, que reagem com os antígenos A, e anti-B, que reagem com o antígeno B. Você não tem anticorpos que reagem com os seus próprios isoantigenos, mas muito provavelmente você tem anticorpos para quaisquer antígenos que não estejam presentes em seus glóbulos vermelhos. Por exemplo, se você tem um grupo sanguineo A, significa que você tem antígenos A na superfície dos seus glóbulos vermelhos, mas anticorpos anti-B no seu plasma sanguíneo. Se você tivesse anticorpos anti-A no seu plasma sanguíneo, eles aglutinariam os seus glóbulos vermelhos.

      Vamos estabelecer o grupo sanguíneo de acordo com o sistema ABO:
 
1- Coloca-se numa lâmina de microscopia, lado a lado, três gotas  de sangue a ser identificado;


2- Coloca-se sobre a primeira gota de sangue uma gota de soro anti-A e na segunda gota de sangue uma gota de soro anti-B;


3- Observando-se o resultado temos: 
     a) Se houver aglutinação somente com o soro anti-A, o sangue é do grupo A. (amostra 1);

     b) Se houver aglutinação somente com o soro anti-B, o sangue é do grupo B. (amostra 2);
     c) Se houver aglutinação com o soro anti-A e anti-B, o sangue é do grupo AB. (amostra 3);
     d) Se não houver aglutinação com o soro anti-A e anti-B o sangue em exame é do grupo O. (amostra 4). (ver ilustração abaixo).


Figura 1: Determinando grupos sanguíneos ABO em indivíduos.
Referências Bibliográficas:
Livro: Corpo Humano (fundamentos de anatomia e fisiologia)
Autor: Gerard J. Tortora e Sandra Reynolds Grabowshi
6 edição – pagina 362.
Até a próxima!

Grupos Sanguíneos e Tipagem do Sangue - Parte 2.

          GRUPO SANGUÍNEO Rh
 
O grupo sanguíneo Rh é assim denominado porque o antígeno Rh foi identificado pela primeira vez no sangue de um macaco do gênero Rhesus. As pessoas cujos glóbulos vermelhos tem o antígeno Rh são designadas Rh + (Rh positivas); aquelas que não tem o antígeno Rh são designadas RH – (Rh negativas). Sob circunstâncias normais, o plasma humano não contem anticorpos anti-Rh. Entretanto, se uma pessoa Rh- receber uma transfusão de sangue Rh+, o seu sistema imune começará a produzir anticorpos anti-Rh que irão permanecer no sangue. 75% da população é  Rh+ , 25% da população é Rh-.  
 
Figura 2: determinando grupos sanguíneos Rh em indivíduos.
Coloca-se uma gota de soro anti-D na primeira e segunda gota de sangue (Figura 2):

  • Se houver aglutinação com o soro anti-D, o sangue é fator Rh+; 
  • Se não houver aglutinação com o soro anti-D, o sangue é fator Rh-; 

    Referências Bibliográficas:
    Livro: Corpo Humano (fundamentos de anatomia e fisiologia)
    Autor: Gerard J. Tortora e Sandra Reynolds Grabowshi
    6 edição – pagina 362.

    Até a próxima!

Homogeneizar Soluções: Simples e Prático

      Muitos medicamentos líquidos ou em suspensões e até mesmo perfumes e desodorantes, entre outros produtos líquidos são comprados nos comércios e levados para casa. Serão utilizados diariamente até o seu uso completo. Muitas vezes, no rótulo dos produtos, vem os dizeres "agite antes de usar" que nem sempre são seguidos criteriosamente. 
Figura 1: Agite os frascos para homogeneizar as soluções
      Todos os produtos líquidos em repouso, especialmente medicamentos, tendem a precipitar seus ativos e outros componentes, deixando a parte inferior da solução mais concentrada, deixando em desequilíbrio na concentração total. Quando o frasco é chacoalhado, todos os componentes e principalmente o ativo se concentrará de forma homogênea, tendo resultados satisfatórios até o final do produto. Muitas vezes tomamos medicamentos e não ocorre resultados 100% por não homogeneizar sempre que faz seu uso. O mesmo vale para perfumaria. Já ouvi muitas vezes mulheres questionarem que a fragrância do perfume diminuiu e o cheiro está muito fraco, isso ocorre devido ao fato de não ser agitado antes de usar e o ativo do perfume estar no fundo. Logo, o caninho do "spray" vai bombear toda a parte baixa condensada  e com o tempo a concentração total da solução estará realmente menor.
       Parece bobo, mas fazendo este procedimento de agitar qualquer produto na forma líquida como medicamentos, perfumarias ou produtos alimentícios antes de utilizá-los, irá manter a eficiência esperada até o final.

      Crie este hábito! Vale a pena! 

Botulismo Alimentar

      O botulismo é uma doença causada pela toxina liberada pela bactéria Clostridium botulinum. Este microorganismo contamina alimentos que causam ingestão alimentar na maioria das ocorrências. A proliferação e a produção da toxina se deve ao armazenamento irregular de alimentos embutidos, enlatados e conservas caseiras (Figura 1). O botulismo infantil é a enfermidade causada por mel contaminado ingerido por crianças, pois sua flora intestinal não tem formação suficiente para minimizar o impacto de proliferação do Clostridium, por isso pede-se para não dar mel à crianças menores de 1 ano de idade.
Figura 1: enlatados e conservas caseiras.
      São descritos 7 tipos de Clostridium botulinum (de "A" a "G"), podem sobreviver mais de 30 anos em meio líquido, suportam a temperaturas de até 100ºC e podem germinar em temperaturas a 3ºC, associando com frutos do mar refrigerados. O efeito farmacológico das toxinas é a paralisia muscular, na qual elas se ligam na membrana nervosa e bloqueia a liberação da acetilcolina. O risco de paralisia dos músculos respiratórios é grande podendo levar à morte.
      Curiosamente, em clínicas médicas, a toxina botulínica é usada, de maneira controlada, a paralizar determinados músculos da face para fins estéticos. O produto usado com esta toxina é o conhecido Botox®.
      Caso encontrem latas amassadas ou estufadas em mercados, não comprem e entreguem ao responsável do estabelecimento para evitar contaminação de terceiros. Compre conservas caseiras, como o palmito, conhecendo a procedência de fabricação e verifique a data de validade. Evite dar mel à crianças menores de 1 ano de idade.

        (Fonte: Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.1, p.280-287, jan-fev, 2008).

        Tenham todos um ótimo dia!

02 julho 2013

Medicamentos de Referência, Genéricos e Similares

      No mercado farmacêutico, medicamentos de referência, genéricos e similares estão disponíveis nas prateleiras de farmácias e drogarias. Qual a diferença dos três medicamentos?
  • Medicamentos de Referência - são inovadores no mercado, produto único e patenteado para não haver cópia pelos concorrentes até o período de expiração. A eficácia, segurança e qualidade do medicamento são comprovadas cientificamente e aprovados pelo Ministério da Saúde. Tem nome conhecido, como exemplo, a Novalgina®.
Fonte: http://gilfarma.com.br/blog/genericos/
  • Medicamentos Genéricos - remédios intercambiáveis (podem ser trocados) com os de referência por ter componentes (ativo, dose, forma farmacêutica, via de administração, indicação terapêutica),  eficácia, segurança e qualidade iguais,  comprovados com testes rigorosos de bioequivalência e garantidos pelo Ministério da Saúde. Esta intercambialidade só pode ser feita pelo responsável técnico do estabelecimento (farmacêutico), não confundir genérico com similar e deve ser registrado na receita. A letra "G" azul impressa sobre a tarja amarela situada na parte inferior da embalagem destaca este medicamento nas prateleiras. Se a intercambialidade for proibida pelo prescritor, este deve escrever à punho, de forma clara e legível na própria receita.
  • Medicamentos Similares - tem as mesmas características e efeitos dos medicamentos de referência no organismo, são aprovados para uso pelo Ministério da Saúde, mas não são exigidos testes de bioequivalência, por este motivo, não podem ser intercambiáveis com medicamentos genéricos e com os de referência. São identificados por um nome de marca, mas não é uma patente. Diferenciam em tamanho e forma do produto e prazo de validade: excipientes e veículos variados.
      Quando o balconista oferecer um medicamento diferente do que está descrito na receita, peça para chamar o farmacêutico responsável para ver se a mudança está correta e se pode trocar mesmo ou não, além do profissional registrar na receita as mudanças.

      
       A sua saúde em primeiro lugar! 

Taninos e Suas Ações Farmacológicas

    Desde a antiguidade, as plantas medicinais vêm ajudando a população mais carente, principalmente as de zonas rurais, próximos à flora. Seus efeitos são reconhecidas por meios científicos através de análises laboratoriais, estudando seus ativos e associando suas ações benéficas.
      Os taninos são drogas tânicas, encontrados na forma hidrolisável ou gálica e na forma condensada ou catequímicas. Os hidróxidos tem a sua importância por ser antioxidantes e facilmente se liga a estruturas orgânicas.

        Logo abaixo, citaremos algumas plantas contendo taninos e suas ações farmacológicas:
Figura 1: Estômago com lesão gástrica.
  • Goiabeira - há interesse nas folhas onde é a fonte de taninos. Pessoas com diarréia usam em forma de chá, causando constipação intestinal e cessando o sintoma;
  • Espinheira Santa - usados em problemas no estômago. O mecanismo consiste na associação dos taninos contidos no chá às proteínas do estômago formando uma película sobre a lesão gástrica, protegendo a mucosa (Figura 1). Vale ressaltar que este chá não cura o problema, apenas alivia o sintoma por formar esta capa de proteção;
  • Hamamellis - Usado na fabricação de cosméticos por sua ação adstringente, no qual diminui o diâmetro dos canais dos poros da pele, reduzindo a produção de sebo;
  • Aroeira - usado como banho, tem ação anti- séptica eliminando frieiras e outras irritações cutâneas causadas por fungos e bactérias. Consiste na precipitação do microorganismo após a ligação dos taninos nas proteínas existentes na sua superfície. Gargarejo com romã segue o mesmo mecanismo anti-séptico.
      Na indústria, o tanino é usado na pele de gado para evitar o efeito de putrefação, transformando em couro para ser usado na confecção de bolsas, sapatos e botas. Em estações de tratamento de água, usa-se taninos com sulfato de alumínio para a floculação das impurezas que precipitam para o fundo do tanque, facilitando a limpeza. 
      Apenas se adverte o uso de taninos em doses altas via oral por poder causar toxicidade.

      Abraço a todos! 


01 julho 2013

Clara de Ovo em Queimaduras: Mito ou Verdade?

      Relatos sobre primeiros socorros caseiros usando clara de ovo em partes queimadas circulam na internet com resultados positivos e que, na maioria das vezes, nem deixam cicatrizes.

      Afinal, usar clara de ovo em queimaduras, é mito ou verdade?

      Um assunto polêmico, mas os profissionais são categóricos nos seguintes pontos: 
  • se a queimadura for difícil de tratar em casa;
  • se for em locais como rosto, mãos, pés, genitálias ou órgãos internos;
  • e se for criança ou idoso; vá logo ao posto de saúde mais próximo!
Figura 1: graus de queimadura.
     A questão do uso da clara de ovo são meios alternativos, não comprovados científicamente. Muitas vezes a queimadura foi superficial (1º grau) e logo o organismo irá regenerar a pele e não ficará cicatrizes ou apenas marcas pequenas, naturalmente, logo o usúario associa a clara de ovo à cura da região queimada. Se o acidente for mais profundo (2º grau ou 3º grau), o resultado pode não ser o esperado (Figura 1).
      Caso seja uma queimadura difícil de tratar em casa, mesmo depois deste "tratamento" e continuar doendo, na ida ao hospital, o médico terá de anestesiar e raspar o local para retirar todas as impurezas como restos de pele morta, materiais grudados à pele como partes de roupas queimadas e, claro, a clara de ovo usada após o acidente.

      Caso ocorra um acidente por queimadura, coloque o local em água corrente por uns 10 minutos e procure um médico.

    Para mim, os únicos tratamentos populares confiáveis são com plantas medicinais, pois tem comprovação científica e utilizados há mais de 5.000 anos.

      Vale a pena se arriscar no "tratamento" com clara de ovo? 

      Pense nisso!

      Veja também: